Reflexão e mudança
Resenha do texto “Letramento e alfabetização: as muitas facetas”
O texto “Letramento e alfabetização: as muitas facetas”, de Magda Soares, é introduzido como um contraponto ao texto anterior da autora, “As muitas facetas da alfabetização”, e, prevenindo contradições, a estudiosa aponta estar apenas defendendo, “numa proposta apenas aparentemente contraditória, a especificidade e, ao mesmo tempo, a indissociabilidade desses dois processos – alfabetização e letramento, tanto na perspectiva teórica quanto na perspectiva da prática pedagógica” (p. 5). O texto procura distinguir a definição de alfabetização e letramento. Pela visão de um estudante de Letras, que se tornará professor, principalmente, o texto é uma base de leitura, um bom começo para repensar a educação.
O primeiro ponto do texto, “A invenção do letramento”, nos dá um panorama de como a prática do letramento e da alfabetização foi introduzida, dando uma visão histórica ao leitor. “É curioso que tenha ocorrido em um mesmo momento histórico, em sociedades distanciadas tanto geograficamente quanto socioeconomicamente e culturalmente, a necessidade de reconhecer e nomear práticas sociais de leitura e de escrita mais avançadas e complexas que as práticas do ler e do escrever resultantes da aprendizagem do sistema de escrita” (p. 4-5), com tal introdução, a estudiosa instiga o leitor a descobrir essa curiosidade, mostrando a construção da ideia que se acredita hoje, o que ela desenvolve ao longo do texto.
O segundo ponto do texto chama ainda mais atenção. De início, o seu título “A desinvenção da alfabetização”, já causa impacto pela palavra “desinvenção”. Nesse ponto a autora comenta o fracasso na educação, ela discute: ”Certamente essa perda de especificidade da alfabetização é fator explicativo – evidentemente, não o único, mas talvez um dos mais relevantes – do atual fracasso na aprendizagem e, portanto, também no ensino da língua escrita nas escolas brasileiras, fracasso hoje tão reiterado e amplamente denunciado” (p. 9). Como causas para essa situação, a estudiosa aponta: a reorganização do tempo escolar com a implantação do sistema de ciclos, o princípio da progressão continuada e a perda de especificidade da alfabetização. A doutora discute os motivos desse fracasso e o explica de forma detalhada, deixando claro o porquê do uso da palavra “desinvenção” no título. Em seguida, ela traz sugestões de melhorias para acabar com tal fracasso.
No último tópico do texto, “A reinvenção da alfabetização”, Soares propõe uma redescoberta da alfabetização e do letramento. Como conclusão a autora expõe: “Em síntese, o que se propõe é, em primeiro lugar, a necessidade de reconhecimento da especificidade da alfabetização, entendida como processo de aquisição e apropriação do sistema da escrita, alfabético e ortográfico; em segundo lugar, e como decorrência, a importância de que a alfabetização se desenvolva num contexto de letramento” (p. 12). Ou seja, esses dois conceitos (alfabetização e letramento) devem ser levados de forma séria, e precisam ter devida importância na educação, tópico que infelizmente está em decadência no Brasil.
A estudiosa, Magda Soares, nos mostra de forma impressionante através de exemplos antigos e atuais, independente de idades, independente se primário ou graduação, que o processo de alfabetização compreende diversas facetas, diversos lados, por esse motivo não deve ser vista de forma fragmentada e sim integrada. Textos como este fazem com que o leitor reflita sobre a educação. A reflexão pode gerar mudança de atitude e mudança de atitude gera melhorias, e é isso que precisamos: melhoras na educação.
Magda Becker Soares é professora da Faculdade de Educação da UFMG, graduada em Letras, doutora e livre-docente em Educação. Autora de muitos livros, e mais conhecida por seus livros didáticos de Língua Portuguesa. E também pesquisadora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita da Faculdade de Educação da UFMG.
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