Prático
Resenha do texto
“Pragmática” de José Luiz Fiorin.
O
texto “Pragmática” de José Luiz Fiorin inicia com uma epígrafe retirada do
livro “As aventuras de Alice”, de Lewis Carroll. Com isso, ele discute o
sentido de certas palavras, mostrando que a Pragmática “é a ciência do uso
linguístico, estuda as condições que governam a utilização da linguagem, a
prática da língua” (p. 161). Ainda na Introdução, o autor inicia os conceitos
de enunciação e enunciados dando um panorama para a segunda parte do texto: A enunciação.
A enunciação é o ato de enunciar, a
capacidade de um falante de formular enunciados. Em outras palavras, enunciação
é o ato de falar e o enunciado a fala em si. O autor discute, brevemente nessa
segunda parte, sobre as categorias que constituem o “aparelho formal da
enunciação”, segundo Benveniste, que são: pessoa; espaço e tempo, e comenta
sobre os três níveis da enunciação, respectivamente: enunciador e enunciatário;
narrador e narratário; interlocutor e interlocutário. Após a explicação desses
conceitos, Fiorin parte uma um estudo mais detalhado das categorias citadas por
ele, começando por Pessoa.
Na categoria Pessoa, o estudioso aponta a pessoalidade
e a subjetividade. Pessoalidade é o relacionado à pessoa ou
não pessoa, onde pessoa é o “eu” e o “tu” (pessoas enunciativas, participam da
enunciação) e não pessoa é o “ele” (pertence ao domínio do enunciado, pessoa
enunciva). Subjetividade é a respeito
de pessoa subjetiva e pessoa não subjetiva (“eu” e “tu”, respectivamente). O
escritor continua explicando os significados das pessoas e os morfemas que
expressam cada uma delas.
Prosseguindo seu texto, Fiorin comenta
sobre a categoria Tempo. Sendo,
talvez, a categoria mais complicada, ele consegue explicar de forma detalhada,
porém, clara. Segundo o autor, há três tipos de Tempo: cronológico, físico e linguístico. O tempo cronológico é do
calendário, dos acontecimentos. O tempo físico é marcado pelos dias, anos,
séculos etc., marcado pelo movimento. Já o tempo linguístico é o momento da
enunciação (ME), quando o falante toma a palavra e instaura um agora. Seu
centro é o momento da fala. Os momentos dos acontecimentos (MA) no tempo podem
ser concomitantes (simultâneos ao momento da enunciação) ou não concomitantes
(posteriores ou anteriores ao momento da enunciação). Fala-se, portanto, de
presente, passado e futuro, reconhecidos pelo estudioso como momentos de
referência (MR). “O tempo é, pois, a categoria linguística que marca se um
acontecimento é concomitante, anterior ou posterior a cada um dos momentos de
referência (presente, passado e futuro), estabelecidos em função do momento da
enunciação” (p. 167).
No penúltimo tópico de seu texto, Fiorin
discute sobre o Espaço. “O espaço
linguístico ordena-se a partir do hic,
ou seja, do lugar do ego. Todos os
objetos são assim localizados, sem que tenha importância seu lugar físico no
mundo, pois aquele que os situa se coloca como centro e ponto de referência da
localização. O espaço linguístico é expresso pelos demonstrativos e por certos
advérbios de lugar. O espaço linguístico não é o espaço físico, analisado a
partir das categorias geométricas, mas é aquele onde se desenrola a cena enunciativa”
(p. 174). O autor ainda dá exemplos de pronomes demonstrativos, como: este;
esse; aquele, e advérbios de lugar, como: aqui; ali; cá, terminando sua
explicação.
Finalmente, o último assunto a ser
comentado pelo estudioso é a Discursivização
das categorias enunciativas, onde são apresentados os conceitos de
“debreagem” e “embreagem”. Debreagem “é a operação em que se projetam no
enunciado a pessoa, o espaço e o tempo” (p. 178), sendo na pessoa: debreagem
actancial; no espaço: debreagem espacial; no tempo: debreagem temporal.
Embreagem “é o ‘efeito de retorno à enunciação’, produzido pela neutralização
das categorias de pessoa e/ou espaço e/ou tempo, pela denegação, assim, da
instância do enunciado” (p. 179), também valendo dos conceitos de actancial
(pessoa), espacial (espaço) e temporal (tempo). O escritor termina seu texto
com uma lista de exercícios para colocar todos esses conceitos em prática.
Através de uma leitura clara, Luiz Fiorin
alcança o objetivo de tirar a névoa que pode vir à mente quando se escuta a
palavra “Pragmática”, que não deixa de ser o estudo da Língua em sua prática
(práxis). Para um estudante de Letras, o texto é de suma importância. É uma das
bases para a Linguística e certamente base para os estudos da Pragmática.
José Luiz Fiorin é um professor e linguista brasileiro muito conhecido e renomado. É um dos maiores especialistas brasileiros em Semiótica, Análise do Discurso e Pragmática. É graduado em Letras pela Faculdade de Filosofia Ciências
e Letras de Penápolis e atualmente
é Professor Associado do Departamento de Linguística da FFLCH da Universidade
de São Paulo.
Bibliografia:
FIORIN, José Luiz.
“Pragmática”. In: FIORIN, José Luiz (org.). Introdução à Linguística II:
Princípios de Análise. 6. ed. São Paulo: Contexto, 2010, p. 161-185.
FIORIN, José Luiz.
Biografia, pesquisa. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Luiz_Fiorin>.
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